terça-feira, 3 de março de 2009

"Cem anos de arte"

O Governador do Estado, EDUARDO CAMPOS, transferirá o "governo" para a "Terra da Poesia", nesta segunda feira dia 09 de março.
Esta semana e a vindoura, São José do Egito estará em festas. Comemorando 100 anos de emancipação política, o "berço da poesia" se destaca em relação aos demais municípios do Alto Sertão do Pajeú.



O que diria MILONGA se vivo estivesse na comemoração dos "cem anos" da terra que produz artistas de renome e que dá aos seus conterrâneos o prazer de dizer "sou egipciense, sou pajeuzeiro, sou da terra da poesia". A festa apresentará Artistas como ELBA RAMALHO, SAIA RODADA e as "crias da casa" VOZES DO CAMPO e o Poeta/Forrozeiro DELMIRO BARROS, integrarão os festejos para o cidade que entra no rol das "centenárias".



Mais existe algo que se tem por obrigação de explicar. Ingazeira é a mais velha cidade da região, sendo Vila desta a "Vila de São José do Egito", como tantas outras. Vejamos um pouco do histórico sobre, as hoje cidades, mas, que já pertenceram a Ingazeira:

Ingazeira município brasileiro do estado de Pernambuco. Localizado às margens do Rio Pajeú a uma latitude 07º40'34" sul e a uma longitude 37º27'35" oeste, distante 390 quilômetros da capital. Administrativamente, o município é formado pelo distrito sede e pelo povoado de Santa Rosa.

Os primeiros habitantes que povoaram estas terras foram indígenas da tribo Cariri (ou Tapuia). O Jesuíta Fernão Cardim em seu “Tratado dos Índios do Brasil”, de 1584, refere-se a eles já com essa denominação. No século seguinte, os holandeses penetram na região por eles habitada. O historiador holandês Ellias Herkmann os representa como uma raça numerosa que habita uma região elevada e fria. Designava assim o Planalto da Borborema, cujas ramificações estendem-se até a atual Campina Grande na Paraíba.
Os Cariri eram diferentes dos Tupi do litoral. Tanto na língua como nos usos e costumes. Seus conhecimentos eram mais desenvolvidos do que os indígenas do litoral. Guerreiros vigorosos reprimiram a invasão destes, vindos do sul. Também custaram mais a sujeitar-se a dominação dos brancos, e bem poucos sobreviveram a carnificina que se fez deles entre 1695 e 1710. Episódio que ficou conhecido como “Levante dos Tapuia”. Tapuia (inimigo invencível) era o nome como eram designados os Cariri pelos brancos e Tupis do litoral.

Colonização
A penetração do sertão nordestino se fez por dois caminhos: antes de 1650, gente da Bahia de São Salvador percorrendo o Rio São Francisco chega ao Moxotó e ao Pajeú e destes ao interior do sertão onde estabeleceram fazendas de gado as margens desses rios. Outros, chamados paulistas (bandeirantes), liderados por Domingos Afonso Malfrense (conhecido pela alcunha de Domingos Sertão) e Domingos Jorge Velho, descendo o curso do São Francisco, a partir da sua nascente até a atual Petrolina em Pernambuco onde rumaram para o norte se estabelecendo em terras do Piauí.

Evangelização
Enquanto os Jesuítas evangelizavam os índios mais próximos do litoral, coube aos Padres Carmelitas Franceses a missão de evangelizar os índios do interior. Nessa época, colonizadores baianos foram os primeiros que aqui se estabeleceram ocupando as margens do Rio Pajeú. Destacando-se a poderosa família da Casa da Torre, que mandava seus rebanhos bovinos pastorearem por toda a bacia do Rio Pajeú. Outra família nobre, a de Christovão da Rocha Pitta, também se estabeleceu nesta região, provavelmente às margens do Rio Moxotó. De modo que se formaram espécies de “feudos” nesta região, tanto é que, em carta ao Rei de Portugal Dom Pedro II (o Pacífico)de 1700, o Governador de Pernambuco Fernando Martins Mascarenhas e Lencastre reclama que “A Casa da Torre, dos herdeiros de Garcia D'Ávila, a Casa da Ponte de Antonio Guedes de Brito e Domingos Afonso Sertão, moradores da jurisdição da Bahia, estão se tornando senhores de quase todo o sertão de Pernambuco”. Outros portugueses também se estabeleceram na região, observando que nessa época, estava o Recife em poder dos holandeses da Casa de Orange e a Paraíba em luta contra estes e os franceses, natural, portanto que o sertão fosse o único refúgio seguro para os lusitanos, onde os flamengos só a muito custo e lutas contra estes e os Cariri conseguiam penetrar. Num escrito da época feito pelo frei Martin de Nantes, o missionário capuchinho francês menciona a existência de um Antonio de Oliveira que havia alcançado uma aldeia dos índios Cariri e recebido autorização para ali se estabelecer. Foi da fazenda deste que anos depois, partiu o bandeirante capitão-mor Theodosio Oliveira Ledo para reprimir os índios Xucuru estabelecidos na margem esquerda do Rio Paraíba. Transpondo esse, o Planalto da Borborema aonde veio a encontrar as margens do Rio Piancó o paulista Domingos Jorge Velho, bastante poderoso, conforme testemunha Vernhargen a ponto de ceder ao paulista um contingente de mil homens para a guerra contra o quilombo dos Palmares, em 1695. Frei Martin de Nantes percorreu toda essa região até a fazenda de Antonio de Oliveira, descrevendo com espanto a natureza desolada e morta dos lugares atravessados em tempo de seca, tal qual o inverno europeu em suas comparações. Em meados do século XVII foram designados a pedido do próprio fazendeiro, missionários capuchinhos do Convento da Penha no Recife para evangelizar os povos dessa região. Coube ao Frei Theodosio de Lucce essa missão. É bem provável que este foi o primeiro missionário dos sertões do Pajeú. Somente depois de 1710 é que foram pacificados ou destruídos os índios que habitavam essa região. Nessa época, propriedade quase exclusiva da Casa da Torre, da família D’Ávila de Salvador que cobrava dízimos ou arrendamentos foreiros. E foi as margens do Rio Pajeú, embaixo de uma baraúna secular onde foi celebrada a primeira missa nestes sertões no ano de 1717. Foi ai que se formou a próspera povoação de São José da Ingazeira.

Fundação
Magnificamente situada à margem do Rio Pajeú, com terrenos excelentes, extensos e levemente ondulados, próprios para agricultura e em redor, numa extensão de cinco a seis léguas de matas vivas, ricas em pastagens, próprias para criação de gado, Ingazeira teve sua origem na Sesmaria de São Tiago a primeira vendida aqui e adquirida por Eusébio da Gama, conhecido pela alcunha de Marinheiro, vindo da cidade de Goiana no litoral, aqui casou-se com uma filha do Visconde de Saboeira da família dos Carcarás vindos da Província do Ceará. Com o Levante dos Tapuias e a ocupação do Recife pelos holandeses interromperam-se as relações com a capital da província. Duas moças fugitivas de uma carnificina numa fazenda do Cariri velho pelos índios Carirí, refugiaram-se nesta região onde se uniram a esta família, é dessa união que nasce Agostinho Nogueira de Carvalho, o fundador da fazenda Ingazeira. Este começou em 1820 a construção de uma capela dedicada a São José. Morrendo em 1832, seu filho de mesmo nome, continuou a obra (só concluída em 1852), nessa época já era a segunda maior povoação da região com aproximadamente 6.500 habitantes.

Criação da Freguesia de São José da Ingazeira
O alto sertão esteve sempre administrado religiosamente pelos Bispos de Olinda. A primeira sede de freguesia, nos princípios do século XVIII, foi Garanhuns, brevemente esteve um vigário em Cabrobó, no São Francisco. Este não se adaptando bem a região, veio fixar sua residência em Pajeú de Flores, perto de uma próspera fazenda, tornando-a sede de freguesia. Formaram-se várias freguesias desmembradas de Garanhuns, Cabrobó e Flores. Uma delas foi a de São José da Ingazeira desmembrada da de Flores por decreto da Assembléia Legislativa Provincial de Pernambuco, de 29 de abril de 1836 e Lei Provincial nº 123 de 9 de junho de 1836. Foi elevada a categoria de vila pela Lei Provincial nº 295 de 5 de maio de 1852 e instalada em 7 de janeiro de 1853. A capela dedicada a São José, foi elevada a categoria de matriz e o capelão Pe. José Antonio Alves de Brito, o primeiro vigário da nova freguesia, por provisão datada do Palácio da Soledade em 4 de agosto de 1836 pelo então Bispo Diocesano Dom João da Pacificação Marques Perdigão, sendo Dom Pedro I Imperador do Brasil.

Decadência
As questões políticas e a má administração determinaram a decadência da próspera freguesia de São José da Ingazeira. Tivera o fundador dois filhos: Agostinho e Dona Iná, esta última casou-se com o Coronel Francisco Miguel de Siqueira, chefe político e alta personagem, porém maléfica, por cobiça e orgulho. Desfeiteava e insultava os sacerdotes que por ali se sucediam, em 1876 exigiu do Pe. Pedro, último vigário de Ingazeira e primeiro de Afogados, que atrasasse a missa porque chegara de viagem e queria esfriar os pés e descansar o corpo. Esses e outros exemplos causavam mal impressão e assombro em todos. Morrendo Francisco Miguel em 1878, entrando em Ingazeira, de uma queda de seu cavalo e quebrando o ombro, quando voltava da Vila de Afogados, a que tinha prometido exterminar e passando a sede do município e freguesia para Afogados em 1879, a Vila de Ingazeira ficou deserta e abandonada ao tempo. O povo firmou-se na opinião de que era amaldiçoada. Idéia errônea, pois, as conseqüências da má direção do seu ex-chefe é que prevaleceram como fator de repulsão de seus habitantes. Completou a ruína de Ingazeira, a criação da freguesia de São José do Egito, em 1881 e as divergências políticas do lugar.

Restauração
Por lei provincial de nº. 1.403 de 12 de maio de 1879, a sede da Vila de Ingazeira foi transferida para a povoação de Afogados, que foi elevada à categoria de vila. Ingazeira voltou a ser sede municipal pela Lei Provincial de nº 1.761 de 5 de julho de 1883, porém, revogada pela Lei nº. 1.827 de 28 de junho de 1884. Teve o predicamento de cidade pela Lei estadual de nº. 991 de 1 de julho de 1909. Na divisão administrativa estadual do ano de 1911, o município ainda se denominava Ingazeira, tendo Afogados como um de seus distritos. Situação que se inverteu e o município passou a denominar-se Afogados da Ingazeira, tendo Ingazeira como um de seus distritos. Posteriormente, foi criado o município de Tuparetama pela Lei Estadual nº. 3.332 de 31 de dezembro de 1958 desmembrado de Afogados, ao qual Ingazeira ficou subordinada. Finalmente a Lei Estadual de nº. 4.971, de 20 de dezembro de 1963, veio a emancipação política, fazer justiça à antiga vila de Ingazeira, restaurando o município e devolvendo sua autonomia, desmembrado de Tuparetama.

Geografia
Aspectos Gerais

O município de Ingazeira está localizado na parte setentrional da microregião Pajeú, na porção norte do Estado de Pernambuco, limitando-se geograficamente, ao Norte com os município de Tabira e São José do Egito, ao Sul e Oeste com o município de Iguaraci e ao Leste com o município de Tuparetama. Ocupa uma área de 243,7 km², tendo sua sede situada às margens do Rio Pajeú a uma altitude de 534 metros, distante de Recife 390 quilômetros (acesso pela BR 232-276Km; BR 110-32Km; PE 280-9Km; PE 292-43Km/PE 275 49Km; PE 283-19Km/16Km).

(Por: Joel Gomes)

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